Monografias | Líder-Servo: um novo conceito no desenvolvimento humanoLíder-Servo: um novo conceito no desenvolvimento humanoResumen: A impressão geral acerca da liderança é fruto da própria educação tradicional. Se a noção de liderar consistir em idade cronológica, dinheiro e quantidade de conhecimento, ficaremos limitados a uma falsa idéia sobre poder. Todavia, se construirmos sabedoria a partir do que enxergamos enquanto relações humanas, então, mudará a ótica sobre a liderança e a riqueza que há nas partes e no todo humano. O conceito do líder-servo concebe um alto grau de maturidade entre as pessoas. Palavras-chave: Aprendizagem, poder, mudanças, relações humanas.
A impressão geral acerca da liderança é fruto da própria educação
tradicional. Se a noção de liderar consistir em idade cronológica, dinheiro e
quantidade de conhecimento, ficaremos limitados a uma falsa idéia sobre poder.
Todavia, se construirmos sabedoria a partir do que enxergamos enquanto relações
humanas, então, mudará a ótica sobre a liderança e a riqueza que há nas
partes e no todo humano. O conceito do líder-servo concebe um alto grau de
maturidade entre as pessoas. Ele exclui a imposição do modelo abusivo de poder
que inibe o ser humano a alcançar um melhor desenvolvimento. Neste modelo, a
relação ensino-aprendizagem solidária e colaborativa é instrumento que
viabiliza trocas de conhecimento constante, onde o líder-servo também aprende
com os liderados. Ademais, as mudanças que ocorrem com freqüência, tanto
humanas quanto tecnológicas, precisam encontrar refúgio neste tipo de relação
para que haja abertura e adaptação pertinentes. Tendo em vista a envergadura
do modelo de líder-servo, tornam-se evidentes os obstáculos que surgem ao
longo de sua implantação. Velhos hábitos se fixam de forma resistente no
combate ao novo modelo de liderança. Um forte instrumento de apoio para dar
sustento à implantação da liderança de serviço são os valores internos.
Nos bons momentos e nos difíceis, principalmente, eles embasam a visão necessária
a ser observada na linha do horizonte mental, e estimulam o atingir de metas em
cada passo dado. Palavras-chave:
Aprendizagem, poder, mudanças, relações humanas.
Este artigo analisa a
liderança e o modelo de educação tradicional. E, principalmente, estudos
sobre novas percepções a respeito destes temas tão importantes. São
reveladas diferenças (e são muitas!) entre o tradicionalismo e o conceito de
liderança para o serviço. Além de apontar quais decorrências estão
presentes em cada modelo aqui apresentado.
Um novo conceito de liderança pode trazer à nossa consciência uma
transformação acerca deste fenômeno. Ao longo da história percebe-se que
liderar, de um modo geral passou uma imagem autoritária. Contudo, abre-se novo
horizonte a seu respeito, tornando as relações humanas melhores e viabilizando
o uso do poder que lhe é conferido. A idéia do líder-servo abre espaço para
um melhor desenvolvimento nas relações humanas. Há caminhos que podem
conduzir grupos e líderes conjuntamente. Os conceitos que se
adquirem sobre liderança desde a mais tenra idade, através dos diversos
comportamentos sociais, sejam na família, na escola, ou
em associações e entidades, acabam por introjetar as idéias de hierarquia
como sendo o sistema existente no mundo. Todavia, situados no terceiro milênio,
percebem-se mudanças de grande vulto nas relações humanas e busca-se
compreender, cada vez mais, a essência do que vem a ser o ato de liderar. Tais
mudanças se devem ao fato de o homem lançar novos olhares para o seu meio,
preocupando-se com uma percepção mais abrangente das dimensões humanas, a
exemplo da vida organizacional. É como comenta Wheatley (1999, p.52-7), em
contraste com a visão mecanicista vigente, onde as pessoas foram organizadas em
papéis e as responsabilidades em funções, tornando a organização semelhante
a uma máquina e assim foram criadas fronteiras entre as pessoas. Essa separação
pode ser observada por meio de escritórios isolados, e, na educação, escolas
divididas. Na
verdade, a educação que se recebe é como um treinamento que visa à convivência
desta forma. Deve-se levar em conta o modelo comportamentalista de educação
utilizado nos lares, de um modo geral, através de recompensas e punições.
Conforme os interesses comportamentais que os pais têm em mira, é, então,
empregado tal método para com os filhos. Kohn (1998, p.74-5) relata que, às
vezes, as recompensas possibilitam um aumento de ações de acordo com a vontade
de outra pessoa, causando também mudança na forma como essa pessoa se
desempenha em determinado comportamento. A sua capacidade de atenção durante a
execução de algum comportamento é reduzida quando age em prol de uma
recompensa. Agindo assim, acaba perdendo detalhes que poderiam ser observados
fora desse padrão, ou seja, nada mais é feito, além do que foi solicitado. Também em Bergamini (1989)
encontramos que, em muitos casos, fatores extrínsecos levam uma pessoa a
realizar determinada tarefa, em virtude de medo de punição, ou pelo desejo de
recompensa. Ao contrário, quando os fatores são intrínsecos, ou seja, vêm
de dentro da pessoa, há motivação e criatividade. Ao se compreender esta mecânica de comportamentos, pode-se dar conta de
que há uma previsibilidade quanto ao que se faz e o que se recebe em troca.
Sendo assim, isto acaba por gerar na pessoa o hábito mental de esperar e não
arriscar. Torna-se um limite. Em decorrência diminuem-se as chances de ela
correr riscos ou ousar desafios que possam lhe abrir novas oportunidades.
As conseqüências dessa mentalidade vão se fazendo conhecidas através dos
comportamentos comedidos e até simétricos dos alunos em suas carteiras em sala
de aula, que pouco ousam participar da construção do conhecimento, apesar da
abertura hoje existente em nosso meio. É, justamente, em questões como esta,
que se faz necessária uma atuação de liderança. Na oportunidade existente
dentro das relações humanas. Nas quais, todos encontram espaço e estímulo
para alcançar maior desenvolvimento e coragem para avançar nas conquistas que
se mantinham em baixa velocidade. Precisamos ampliar a visão
de liderança, fazendo com que esta compreensão se estenda às várias esferas
sociais, especialmente às organizações pelas quais passamos: escola, empresa,
igreja e comunidade de bairro. A vida se aprimora nas trocas de conhecimento
entre as pessoas dessas esferas. Mutuamente elas reforçam seus próprios
conceitos de liderança, até que uma nova idéia venha a nascer dentro delas
modificando a sua compreensão. É aí então, que se pode dar novos passos rumo
ao desenvolvimento pessoal e profissional. Baseados na constituição de liderança
que melhor permeie as relações humanas. Este paradigma que surge, o do líder-servo,
mostra-se competente para esta envergadura. Despertar o ser humano para uma nova
visão, que o torne mais investidor na ampliação de seus horizontes, é
fomentar avanços na relação ensino-aprendizagem. É estreitar a ação entre
liderança e educação, extraindo de ambas, as suas mais profundas essências:
servir e aprender. Em outra dimensão, ou
seja, nas organizações, esta proposta vem a calhar. Nelas, encontra-se, também,
o modelo limitador. Ele reforça e mantém a limitação trazida pelo modelo
educacional aprendido nos lares. Conforme Kohn (1998,
p.132), o modelo educacional comportamentalista é ainda reforçado pelas
organizações. Elas utilizam variados incentivos para gerar alguns tipos de
comportamento em seus funcionários, porém, mantém-se aí a fidelidade à
linha fronteiriça, ocasionada pela limitação presente. É contraditório que
as organizações cobrem criatividade de seus colaboradores. Elas os mantêm sob
a limitação da mecânica de recompensas e punições. Existem exemplos
desmotivadores que podem inibir a criatividade, tais como chefes centralizadores
que alinham os erros cometidos pelos funcionários, sinalizando a perspectiva de
punição. E, ainda, o assédio moral. Exercido pelo tipo de chefe que
desmoraliza o seu funcionário, ao destratar a sua produção. Neste exemplo, são
comuns as expressões: “Não, isto não está bom. Faça tudo de novo”. Não
é de se estranhar que as cabeças concebam um tipo de liderança que é regida
pela hierarquia e pelo uso do poder truculento, ou melhor, pelo autoritarismo
controlador. Na contramão desse modelo
comportamentalista, já existem alguns estudos que indicam um modo mais adequado
de percepção e convivência. Há novos conceitos que visam oferecer melhor
julgamento sobre unidade, em meio a tanta fragmentação e diversidade. São
oportunidades que abrem trânsito entre o modelo comportamental e a nova consciência
holística. Segundo Wheatley
(1999, p.180), vivemos uma época em que enxergamos sistemas em vez de partes;
interconexões, que entrelaçam o mundo numa unidade e isto nos coloca em maior
consciência a respeito de nossa interligação com as outras pessoas e as
coisas. Nas organizações muito se discute sobre como integrar os seus
colaboradores, buscando o enriquecimento que o todo proporciona, em grau
superior às partes somente somadas, para se atingir determinada tarefa. As organizações podem
contar com tecnologia de sistemas em informação que são implantadas nas gestões
administrativas para viabilizar a comunicação e eficácia de seus setores.
Estes sistemas beneficiam a competitividade de mercado. Do contrário, os riscos
oriundos da fragmentação organizacional podem, de modo contundente, afetar os
resultados. As escolas e as novas teorias do conhecimento buscam maior participação
entre alunos, professores e pais, abrindo espaço para discussões, antes
exclusivas da hierarquia educacional, sob a batuta de diretores e professores. Ferguson (1980) nos diz que
surge uma nova mentalidade nas pessoas, ressaltada nas transformações
pessoais, tornando-as fortalecidas interiormente, além da aquisição de maior
autonomia com relação aos fatores externos, refletindo seus reais desejos e
aspirações. E ainda, Pinchot (1994) se refere à necessidade de uma nova
concepção a respeito do ser humano, percebendo suas capacidades,
subjetividade, consciência crítica e necessidades de auto-realização. O ser humano, nesta visão
integrada, segundo a qual as redes de comunicação e o perceber-se em conexão
ganham força e dinamismo, evidencia uma circunstância antiga, porém, de nova
lógica que, segundo diz Bergamini (1994, p.24), a liderança, compreendida como
um fenômeno que deve ser cultivado porque ela está nos olhos de quem é
liderado, demonstra que o cerne deste contexto está nas relações humanas.
Somente uma relação qualitativa é capaz de gerar o binômio líder-liderado,
ao contrário do uso de poder impositivo da subserviência que conta apenas com
a obediência de alguém para com outrem, numa situação de patamares hierárquicos.
Hersey e Blanchard (1986, p.196-7) afirmam que uma liderança eficaz exige
comportamentos e habilidades, que podem ser adquiridos por meio de
desenvolvimento gerencial e experiência no trabalho. O grande valor encontrado
na liderança centra-se na boa qualidade de serviço mútuo no relacionamento
entre as pessoas. Desta concepção pode-se observar algumas características
presentes em um líder-servo, tais como o modo cotidiano como ele convive com
seus colaboradores; a sua maneira de ser é a forma pela qual seus liderados o
seguem. Os seguidores sabem que há poder nesta relação de serviço mútuo.
Todavia, eles compreendem que a liderança no desempenho de qualquer cargo ou
função está a serviço de todos, e não é um status conquistado para
fins egoístas. O conceito de liderança que anteriormente expressava imposição
perde terreno para uma nova concepção onde o servir democrático avança a
passos largos. Tal é a força da liderança nas organizações. As energias
empregadas para fins do desenvolvimento das pessoas e suas relações dentro das
organizações são capazes de criar ambientes criativos e motivadores. Quem
pode contribuir para a formação desta atmosfera atuante é o líder-servo. O poder, a serviço do
grupo, evidencia o quanto o líder
encontra-se disponível para as outras pessoas, procurando servir, ao invés de
ser servido. A liderança para o serviço, assim denominada, é o ponto
alto desta relação qualitativa e manifesta-se conjuntamente com outras
propriedades, a exemplo da empatia. O líder-servo empático é capaz de
demonstrar ao outro uma capacidade de percebê-lo em seus variados momentos
emocionais: na alegria, tristeza, dúvida, etc, de tal sorte que, a compreensão
presente neste tipo de relacionamento possibilita maior expressão acerca do que
cada um é singularmente. Ser entendido facilita o funcionamento da comunicação
interpessoal. Evita-se a construção de barreiras mentais, que surgem,
justamente, quando o ser humano não se sente compreendido em suas expressões
mais íntimas. Essas limitações são encontradas comumente nas estruturas
organizacionais consideradas como máquinas e não como sistemas vivos. Mas, não é de hoje que
existem barreiras no cotidiano profissional. O modelo clássico de Administração
e sua forma limitante já demonstraram as dificuldades de relacionamento humano
nas organizações. Chiavenato (2000, p.32-3)
relata a crença do norte-americano Frederick Winslow Taylor (1856-1915) no
antagonismo existente entre os interesses dos empregados e dos empregadores, além
de considerar os operários irresponsáveis, vadios e negligentes. Tais
conceitos levaram Taylor a inovar e acabaram trazendo benefícios para a
produtividade com a sua administração científica, ao analisar e criar técnicas
de racionalização do trabalho do operário e estruturação geral da empresa.
E, em decorrência disso, surgiu a divisão do trabalho e especialização do
operário, contribuindo, também, para o isolamento das pessoas e a perda de visão
do todo. Seguidores de Taylor, como Henry Ford (1863-1947), inovaram com este
tipo de produção industrial, abrindo as portas para um novo salto em
produtividade. Contudo, o elemento humano foi ficando cada vez mais limitado em
sua divisão de atividades, ocasionando um afastamento das partes no todo. Vivemos uma época em que
as pessoas, de modo egoísta, têm dado pouca importância à comunicação com
o outro. Elas mais falam e pouco ouvem. Este contato acaba sendo superficial e
truncado, ocasionando assim perda valiosa de partes da comunicação. Esta forma
fragmentada de conviver vai diminuindo a capacidade de expressão humana que é
fundamental. Podendo levar a um empobrecimento de assuntos e conteúdos, além
de desmotivar, uma vez que, sem ser ouvido, o ser humano se isola cada vez mais. Para atender às
dificuldades causadas pela fragmentação, temos grande contribuição de
Wheatley (1999, p.186-7). Ela observa que, tratando-se de organizações, ninguém
pode manter-se alheio ou ignorar a teia de relações pelas quais todo trabalho
é feito. Ela ainda acrescenta que a consciência dos outros com os quais nos
relacionamos deve estar contida em nosso “eu”, tendo em vista que
pertencemos a um sistema, onde existe uma relação entre a parte e o todo. Se o modelo de liderança
para o serviço oferece o elemento ouvir como ferramenta indispensável para
as relações entre os membros, encontra-se aí uma solução para combater a
comunicação pobre, a falta de expressão emocional e racional, a desmotivação
e o isolamento. Ora, então, existe um antídoto capaz de melhorar muitos
aspectos importantes da vida, além de sugerir uma ação terapêutica. É possível
que, ao se entrar em contato com a liderança de serviço, que dá destaque ao
relacionamento humano, a probabilidade seja de evolução interna e melhoria do
fluxo da comunicação e aumento da motivação e auto-estima. Outro
ponto relevante da liderança para o serviço é o fato de ela estar
embasada em valores internos da pessoa. As crenças nesses valores dão
estrutura e suporte em vários momentos da vida. Valores internos precisam estar
definidos, em virtude da solidez que são capazes de gerar, além de servir de
exemplo para os outros nas relações de liderança. A importância desses
valores seja na ordem pessoal, seja na do grupo, demanda a formação clara, a
servir de guia nos bons e maus tempos. Covey (1996), prevê que ao
líder do futuro cabe o desenvolvimento de uma cultura e sistema de valores
baseados em princípios para aprender e crescer, com coragem e humildade. A
convicção dos valores internos e o conhecimento acerca da profundidade das
relações humanas se aliam à personalidade de um grande perfil procurado
veementemente na comunidade: o líder-servo sensível. Para uma compreensão
mais abrangente, é preciso passar da
esfera pessoal à comunitária, procurando descrever os valores internos da
organização, que darão suporte aos colaboradores em seus vários momentos de
trabalho. O líder-servo
desenvolve caminhos pelos quais devem transitar mudanças. Elas tornam possível
por força de luta e persistência, a transformação de organizações com
modelos limitadores em novos locais. Ambientes que estimulam a formação de
valores, a criatividade e a comunicação. Estes elementos cruciais, presentes
no ser humano, fazem convergir a energia disponível para o foco da
produtividade. Entretanto, há uma conexão a ser despertada para que ocorram as
mudanças fundamentais aqui expostas. Torna-se imprescindível tomar
conhecimento acerca da aprendizagem. Instrumento essencial para que as mudanças
encontrem fluxo dentro das pessoas. Na liderança
para o serviço encontramos uma situação de aprendizagem que é coerente
com o servir, demonstrada na forma como o conhecimento é adquirido por todas as
pessoas, inclusive o líder. Este deixa de ter a postura de quem detém o
conhecimento e passa a aprender também
com os seus seguidores. A humildade do líder-servo é parte de um processo
natural de troca de experiências conquistadas e divididas constantemente. A
educação ocorre em diversos momentos e em vários lugares; abertos ou
fechados. Conforme Fleury (1995),
aprender em todos os níveis numa organização vem ganhando força à medida
que se percebe que a liderança não deve existir num pedestal de conhecimento e
poder, ou do poder do conhecimento. Neste contexto, o líder-servo acerta e
erra, buscando sempre aprender, garantindo um aprendizado contínuo, por meio de
desenvolvimento de habilidades e atitudes. Para acompanhar as mudanças
constantes é preciso existir um nível flexível e habitual de aprendizagem. Na visão de Senge (1990),
organizações de aprendizagem formam pessoas que desenvolvem a sua maestria
pessoal em conjunto com a realidade e que aprendem a expor e reestruturar
modelos mentais, de maneira colaborativa.
Programas de gestão de mudanças devem ser desenvolvidos com os
colaboradores, propiciando a adesão e o comprometimento de cada um através da
consciência que vai sendo adquirida. Os
colaboradores precisam tomar conhecimento das mudanças, e participar dos planos
de adaptação, além de entender os aspectos positivos e negativos. Preocupações das organizações
com as respostas que devem dar quando se deparam com as mudanças são
importantes, mas, ainda mais relevante é criar situações de aprendizagem,
gerando nas pessoas e grupos, sistemas eficientes de conduzir as suas próprias
mudanças (Schon, 1971). É preciso, então,
compreender os processos de aprendizagem. Esta ferramenta que proporciona os
meios de se atingir o conhecimento e a capacidade em perceber como se constrói
o saber. Em cada pessoa o processo de aprendizagem se dá de uma forma. De
acordo com o desenvolvimento que cada ser humano foi se utilizando para a
construção de seu mundo interno. O líder-servo preocupa-se
com a relação ensino-aprendizagem. Ele sabe que também aprende. Seu modelo de
educação estimula aprendizagem constantemente. É possível gerar mudanças na
forma de se construir o conhecimento, levando as pessoas a uma reestruturação
de seu modelo psíquico. Para que as mudanças encontrem terreno fértil nas
mentes humanas é necessário que, antes, ocorram mudanças nos próprios
modelos de se pensar. Isto gera autonomia e maior poder de reflexão nas
pessoas. Esta independência, quando está a serviço do grupo, aumenta a consciência
sobre cada mudança e trabalha em prol de sua avaliação, execução ou, até,
se for o caso, impugnação. Cria-se o hábito de mudar. Esta característica de
mudanças é percebida como um bem que visa transformações constantes e necessárias.
As pessoas mudam e o mercado também, em velocidades multiplicativas. A
mente humana precisa de adaptações permanentes e a autonomia gerada pela
aprendizagem torna viável esta demanda. O colaborador precisa estar
bem mais próximo dos acontecimentos e das informações de mercado, da própria
organização e de si mesmo, principalmente. A sua participação aumenta
largamente quando há entendimento acerca de como ele está situado nas relações
humanas, na conexão organizacional e, sobretudo, como isso interfere na sua
vida. Fazer parte de um conjunto como peça isolada limita e reduz o uso de
potencial a favor do grupo e de seus resultados. Entretanto, ver-se no todo e
compreender os elos existentes motiva. Estimula a continuar aprendendo e a
transformar situações em chances de melhora e de evolução. A liderança com foco no servir
abre ricas oportunidades de desenvolvimento ao homem como ser relacional, que
interage com pessoas e coisas. Conforme se avança neste tipo de relação
humana vai-se compreendendo tudo melhor. Assim, podemos nos desenvolver, visto
estarmos disponíveis para nós mesmos e para o outro. As possibilidades de
aumentar o fluxo de nossas comunicações são estimulantes. Podemos nos
expressar melhor, viabilizando conteúdos oriundos de nossas emoções, além de
idéias, que encontram ouvidos atentos. A motivação e a auto-estima ganham
terreno, tendo em vista o espaço que ampliamos a cada nova expressão. Vale
lembrar que este exercício requer consciência, que a seu turno, gera
crescimento e maturidade. Maturidade é
palavra-chave neste modelo de líder-servo, lembrando das dificuldades pelas
quais passarão aqueles que tomarem este caminho do desenvolvimento. Na
tentativa de implantar a liderança para o serviço na organização,
alguns choques ocorrerão, em virtude da resistência por parte daqueles que
desconhecem outra forma de chefiar as pessoas. Não é fácil introduzir um
modelo de liderar pessoas, onde elas estão acostumadas a apenas obedecer.
Requer muita habilidade e força criativa. Na relação
ensino-aprendizagem a dinâmica é solidária e colaborativa. Constitui-se num
instrumento que nos habilita a reflexões e adaptação ao novo. As mudanças
apresentam-se constantemente em nossas vidas em velocidade que se multiplica.
Portanto, é pela relação ensino-aprendizagem solidária e colaborativa que podemos assimilar tantas transformações. O líder-servo que
compreende essa relação ensino-aprendizagem em seu grupo é capaz de facilitar
a comunicação e a compreensão de cada passo de uma mudança ou dos assuntos
continentes. Todo o desenvolvimento
vislumbrado neste contexto de liderança para o serviço é motivador ao
trabalho que lhe é pertinente. Todavia, apesar da vontade e dos esforços, é
possível que diversas situações venham a ocorrer, tais como tentativas de
obstrução, morosidade além do planejado, pressão de todos os escalões da
organização e até demissões, voluntárias ou não. Mas, se trabalharmos com
paixão e conhecimento, mantendo os nossos valores nesta batalha, alcançaremos
um alto lugar no desenvolvimento pessoal, além de estender tal benefício a
quem dele se aproprie. Vale a pena tamanha evolução como resultado, diante de
um confronto com boas proporções. Um aliado na implantação
da liderança para o serviço é a força e respaldo que tem o desdobramento de
nossas competências, através de estudos constantes, reflexões e a prática
firme. Não apenas de conceitos fundamentados, mas do reconhecimento gradativo
de uma revolução interna que vai se processando e que nos leva a um estado
diferente de conviver com o outro. Valores internos como a ética e o respeito
humano dão sustentação no cotidiano e acabam por servir de exemplo, através
dos pensamentos e atos do líder de serviço.
Isso faz com que troquemos o antigo modelo de mandar
pelo atual e possível modo de participar
pela fluência do servir os seguidores
e ser seguido, aprendendo e ensinando. O líder-servo surge
oportunamente. Vivemos período de adaptações constantes. Percebemos a
necessidade de enxergar holisticamente. Contudo, não conseguimos agir em prol
desta evolução nas relações humanas. Através do serviço prestado pelo líder-servo
é possível obter mais do ser humano que participa em grupo. As pessoas
descobrem em si os valores que as motivam a serem criativas, singulares,
comunicativas, reflexivas, participativas e aptas a desenvolver mudanças. Neste modelo de liderança
segue o líder-servo quem o quiser de verdade, dispondo internamente de suas
capacidades, que poderão, legitimamente, aflorar e se desenvolver, uma vez que
o conhecimento e a vontade se dão de dentro para fora. BERGAMINI,
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Correa de Siqueira Neto é psicólogo, consultor, conferencista e escritor. É
professor de Gestão de RH pela Faculdade de Administração de Limeira. É
mestrando em Liderança pela Unisa Business School. E-mail: selfpsicologia@mogi.com.br Publicación enviada por Armando Correa de Siqueira Neto Contactar mailto:selfpsicologia@mogi.com.br Código ISPN de la Publicación EEpEulVuFZmFEuAruh Publicado Friday 26 de November de 2004 Ultimas Publicaciones en ilustrados.com
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