Monografias | O arquivo e arquivística evolucão históricaO arquivo e arquivística evolucão históricaResumen: No presente trabalho traçar-se-á em síntese a evolução histórica do Arquivo e da Arquivística desde a sua origem até aos dias de hoje. Assim na base deste trabalho estarão presentes os passos que o Arquivo e a Arquivística deram através dos tempos, os seus altos e baixos, em suma a larga caminhada para a sua afirmação. INTRODUÇÃO
Arquivos
Medievais Arquivos
da Idade Moderna
Arquivos
na Época Contemporânea
ARQUIVÍSTICA
Evolução
Histórica
BIBLIOGRAFIA
INTRODUÇÃO
No presente trabalho traçar-se-á em síntese a evolução histórica do
Arquivo e da Arquivística desde a sua origem até aos dias de hoje.
Assim na base deste trabalho estarão
presentes os passos que o Arquivo e a Arquivística deram através dos tempos,
os seus altos e baixos, em suma a larga caminhada para a sua afirmação.
De entre a bibliografia diversa em que
este trabalho se apoiará, destaca-se o magnífico trabalho, Arquivística.
Teoria e prática de uma ciência da informação, de A. Malheiro da Silva e
outros autores.
Se por um lado o Arquivo, é hoje
definido como, o conjunto de documentos, independentemente da sua data, da sua
forma, e do suporte material, produzidos ou recebidos por qualquer pessoa, física
ou moral, ou por qualquer organismo público ou privado no exercício da sua
actividade, conservados pelos seus criadores ou sucessores para as suas
necessidades, ou transmitidos a instituições de arquivos, por outro a Arquivística
é a disciplina que trata dos aspectos teóricos e práticos dos Arquivos e da
sua função.
Ora, estas duas definições são hoje
dadas pelo Conseil International des
Archives, mas, para aqui chegar um longo caminho teve que ser percorrido, e
para as compreendermos temos que conhecer então esse trajecto.
Longe da pretensão de elaborar um tratado sobre a História do Arquivo e
da Arquivística, fica a esperança de que este trabalho sirva como mais um
contributo para a uma melhor compreensão do seu papel ao longo dos tempos.
Para podermos analisar a evolução histórica dos arquivos, será necessário
estabelecer balizas cronológicas, assim iremos ás origens, desde o nascimento
destes, com as Civilizações Pré-Clássicas até aos dias de hoje.
Ao longo da História, que os arquivos se encontraram com diferentes
suportes, desde as placas de argila, do papiro, do papel, entre outros.
Hoje, a variedade de suportes
aumentou, o que por sua vez aumentou o conteúdo destes que se tornou bastante
variado.
Os arquivos constituem desde sempre a
memória das instituições e das pessoas, e existem desde que o Homem fixou por
escrito as suas relações como ser social.
Vários autores defendem que, a História
dos Arquivos não pode ser considerada à margem da História Geral da que
formam parte integrante, tanto que a sociedade condiciona a sua existência, a
sua organização, os seus critérios de conservação e, mesmo, a sua
finalidade. A evolução histórica dos arquivos e do seu conceito como veremos
é paralela ao desenvolvimento das sociedades humanas.
Assim, os arquivos surgem desde que a
escrita começou a estar ao serviço da sociedade, e terão nascido de forma
espontânea no seio das Antigas Civilizações do Médio Oriente há cerca de
seis milénios atrás.
O aparecimento da escrita condicionou
o aparecimento dos primeiros Arquivos, de tal forma que desde logo a humanidade
tomou consciência de era necessário conservar os registos produzidos para mais
tarde poderem ser utilizados.
Os Arquivos mais antigos que são conhecidos, remontam ao 4º milénio a.
C., junto das Civilizações do Vale do Nilo e Mesopotâmia. Graças à
Arqueologia foram descobertos, quer em Elba, Lagash, Maari, Ninive, Ugarit, etc.
diversos vestígios dos primeiros Arquivos. Em Elba por exemplo encontraram-se
numerosas placas de argila, dispostas em estantes de madeira e em distintas
salas, grandes volumes de documentos, missivas governamentais, sentenças
judiciais, cartas, actos privados, etc.
Estes arquivos situavam-se, nesta época
em Templos e Palácios, para estarem mais próximos das classes dirigentes.
Há autores que defendem que estas
estruturas se podem já considerar como verdadeiros Arquivos devido ao tipo de
documentação que lá era conservada.
Descobriu-se que a sua organização
tinha já um grau superior, pois encontraram-se léxicos e catálogos
descritivos.
Através, também da Arqueologia, foi
possível reconstituir a organização de alguns dos arquivos descobertos, que
demonstraram que estes dispunham já de muitos dos elementos que se iram tornar
clássicos e que ainda hoje são definidos pela Arquivística.
Desde logo, que estes arquivos tiveram
grande importância, e constituíam já um complexo sistema de informação, não
sendo concebidos como simples depósitos de placas de argila, mas como complexas
estruturas organizativas e funcionais.
Aos arquivos desta época podemos
apelida-los de arquivos de palácios ou arquivos de placas de argila.
Tudo indica que alguns dos
pressupostos modernos da Arquivística estavam já patentes nos Arquivos das
Civilizações Pré-Clássicas. Arquivos
Greco – Romanos
É atribuído a Éfialtes, cerca de 460 a. C., a criação do primeiro
arquivo do mundo grego. Também aqui os arquivos se situavam em templos e em
dependências do Senado, a Sul da Ágora como em Atenas.
Da
Grécia Antiga destacam-se os arquivos de Gea e Palas Atenen, por ai se
encontrarem importantes depósitos de documentos, como leis e decretos, actas
judicias, decretos governamentais, inventários, etc.
Interessante
será referir que em Atenas cada magistratura dispunha do seu Archeion,
ou seja o lugar onde se redigem e conservam os documentos expedidos pelo poder
governativo. Este conceito irá ser transmitido ao mundo romano, onde será
conhecido como Archivium. A partir de 350 a. C. aparece-nos o termo Métrôon
que era onde se guardavam leis e decretos governamentais, actas do Senado, etc.,
e que funcionava como Arquivo do Estado ateniense. Acredita-se que um pouco por
toda a Grécia haveriam noutras cidades, arquivos civis e religiosos.
Temos
pois, que os arquivos no plano técnico dispunham já de um nível de maturidade
bastante elevado.
Segundo
Plutarco, é atribuído a Valerius Publicoa, que exercia a função de Cônsul
em 509 a. C., a criação do primeiro arquivo da Roma antiga.
Os
arquivos da Roma antiga seguem de perto os das cidades gregas, continuando na Época
Republicana a funcionar em templos, nomeadamente em Roma, no Templo de Saturno,
junto ao erário público, onde se guardavam as Tabulae Publicae, que
depois se veio a denominar Tabularium, agora situado no Capitólio. O Tabularium,
desempenhava a função de Arquivo Central do Estado, já com a importância de
um grande serviço público. Os documentos diplomáticos eram conservados no
Templo de Júpiter e os testamentos no de Vesta.
Durante
a época Imperial, os srinia começaram a especializar-se como srinium
a memoria, que estava encarregada de publicar e conservar as ordens do
Imperador, por outro lado, a denominada a libellis, foi criada para
atender o despacho das publicações e consultas elevadas à Corte. A
cognitiones ou a cognitionibus,
estava a cargo dos litígios civis e criminais que se apresentavam ao Imperador.
Haviam
ainda os srinia
ou
rationibus,
que tratava das finanças e da contabilidade Imperial e finalmente a ab
epistalis,
onde se redigiam as contestações do Imperador ás consultas formuladas por
funcionários e cidadãos. Sabe-se que cada uma desta “repartições” tinham
os seus próprios arquivos independentes fisicamente em estantes separadas, onde
se aplicava um rigoroso respeito pela proveniência
dos fundos.
Um dos grandes feitos dos romanos nesta área, é o facto de terem instaurado
uma verdadeira rede de arquivos, assim um pouco por todo o Império vamos
assistir ao aparecimento de Tabularius
nas cidades provinciais mais importantes, nos quais se recolhia a legislação,
a jurisprudência e a documentação da administração provincial, assim como
surge também os arquivos do municípios e os arquivos privados, fruto do
desenvolvimento do Direito, e que constituíam um instrumento fundamental para a
garantia da propriedade dos cidadãos. De referir ainda que a organização
romana desenvolveu o conceito da Arquivo Público, pois apesar dos arquivos
centrais terem sido criados para uso estatal, abriram as portas à sociedade,
funcionando como garantia de prova para a reclamação de direitos dos cidadãos.
No âmbito da Organização
Arquivística, tivemos grandes progressos, pois os romanos tinham um grande
sentido prático e concediam à administração do Império uma grande importância,
o que levou que muitos dos critérios utilizados por eles continuam ainda hoje
em dia válidos, tanto nas linhas orientadoras da profissão de arquivista como
na configuração da sua rede de arquivos.
Como nos refere A.
Malheiro da Silva, a importância concedida à relação entre documento e a
entidade produtora virá, por sua vez a constituir a chave da Arquivística
moderna. Também com o mundo romano assistimos à metamorfose da Arquivística
numa disciplina com uma missão e regras próprias, servida por uma enorme rede
de serviços e um corpo profissional especializado.
Podemos
concluir então que, em termos organizacionais os romanos dispõem já de um
desenvolvido sistema público de arquivos, que se denota bem pela complexidade
da sua administração. Arquivos
Medievais
Com o advento da Idade Média o Arquivo passa a significar o espaço ou
serviço onde se preservam registos antigos, ou seja começa-se a difundir a
ideia de Arquivo como espaço ou serviço onde se recolhem documentos de valor,
por constituírem prova ou memória de actos ocorridos no passado, sob as
designações de origem Pré-Clássica, como Santuário ou Tesouro.
Ao
cair o Império Romano vai desaperecer a complexa administração que se havia
desenvolvido até então, onde se vê desaperecer a ideia de saúde pública e
bem comum, aparecendo por sua vez a ideia de vida privada, que se vai converter
no factor predominante desta época.
Do
Estado como Respublica passamos ao
Estado Propriedade de quem detém o poder, onde a faculdade ou direito de criar
arquivos, só tinham os que detinham a soberania. Assim desaparece, também a noção
de Arquivo Público.
Na
Idade Média a gestão de documentos vão estar fundamentalmente nas mãos da
Igreja, detentora do “Saber e da Cultura”, concentrados em Catedrais e
Mosteiros.
Os
Arquivos Eclesiásticos vão assim ter a função de guardar e gerir os títulos
de propriedade, quer da Igreja, quer de outras instituições públicas e
particulares.
Apesar
disto os Arquivos nesta época recuperam a importância que tinham na
Antiguidade. Sendo que, com o redescobrimento do Direito Romano no Século XII
entramos numa nova fase da história dos arquivos.
Então,
a partir do século XIII, começa a ser introduzida a prática dos registos, que
eram livros onde se transcreviam os documentos outorgados por uma autoridade, ou
entidade, nomeadamente nas Chancelarias, e outras instituições. Nesta época
as unidades administrativas destas estruturas dividiam-se já em secções orgânicas,
e com funcionários especializados (arquivistas) e normas a seguir.
Será
importante referir que, a prática arquivística nesta época, não se confinava
só à Europa, conhecendo-se os casos da China e do Mundo Árabe.
Com
o Século XIV surgem por toda a Europa vários Arquivos Centrais como o Archivo de la Corona de Aragón em 1318 e o Arquivo da Torre do
Tombo em 1325, entre outros. Ao mesmo tempo dá-se também a descentralização
dos arquivos, o que leva ao aparecimento dos Cartórios Concelhios, é a época
de novas tipologias documentais, como os inventários, dá-se o alargamento ao
tipo de documentos a conservar, como documentos financeiros e historiográficos,
etc.
É
durante este século que assistimos ao primeiro grande movimento de nomeação
de arquivistas oficiais nas Cortes de Europa.
Este
movimento, leva a que os Arquivos sejam encarados de uma forma diferente,
contribuído para que a partir do século XV surjam grandes cronistas oficiais,
juntamente com o aparecimento dos primeiros cultores da crítica filológica e
textual.
Como
vimos, e ao qual já se havia feito referência, na Idade Média o Arquivo vai
recuperar a sua a importância. Arquivos
da Idade Moderna
Com o século XVI, vemos surgir um novo sistema administrativo, o Estado
Moderno. Absolutista e Centralizador por natureza, contribuirá para a concentração
dos arquivos, fazendo surgir os primeiros Arquivos de Estado, que resultam de
novas concepções de administração e reformas institucionais. A criação do
Arquivo de Simancas em 1540, em Espanha por ordem de Carlos V, considerado o
Arquivo Moderno do Estado Espanhol, é de facto um sinal bastante significativo
do novo sistema administrativo. Este arquivo é considerado como o primeiro
exemplo de um Arquivo de Estado. Mais tarde, iremos assistir à criação do
Arquivo Secreto do Vaticano em 1611, e ainda na Espanha o Arquivo das Índias,
em 1788, eles também exemplares de Arquivos de Estado.
Será
importante referir que, esta centralização dos documentos, irá provocar
ajustamentos metodológicos, sendo frequente a elaboração de normas, regulando
os preceitos de rotina do Arquivista.
Segundo,
autores como Jean Favier, a noção de Propriedade dos Arquivos foi substituída
pela de Arquivos Públicos depositários dos documentos do Estado e cuja
conservação era ou podia ser de interesse público.
O
arquivo vai-se converter num elemento fundamental da administração e a
adquirir uma função predominantemente juridico-politica.
Ruiz
Rodríguez, defende que nesta época, se encerra um período da História, em
que os Arquivos tiveram um papel de serviço ás instituições e governos que
os fizeram nascer. Em suma, foram colaboradores dos Estados na administração
dos respectivos territórios.
Este período
fica, pois conhecido como a época dos Arquivos de Estado. Arquivos
na Época Contemporânea
A partir de 1789, com a Revolução Francesa iremos assistir a uma
verdadeira mudança na História da Europa, que se irá repercutir na noção e
funcionalidade dos Arquivos. Com o advento do Estado de Direito nasce um novo
conceito, a Soberania Nacional. Neste contexto, nascem os princípios de
responsabilidade, de garantia, eficácia e justiça da actuação da Administração
perante os cidadãos.
Associado
a isto, o Arquivo passa a ser considerado como Garantia dos Direitos dos Cidadãos,
e Jurisprudência da actuação do Estado.
Um dos
grandes marcos, para a História dos Arquivos, é sem sombra de dúvida a fundação
de raiz, logo em 1789, dos Archives
Nationales de França, e com eles a já muito conhecida Lei de 7 Messidor,
que sai no Ano II da Revolução, que proclama que os Arquivos estabelecidos
junto da representação nacional eram um depósito central para toda a República.
A esta Lei traz um conceito moderno e liberal de Arquivo, onde o Arquivo Central
do Estado deixou de constituir um privilégio dos órgãos de poder e passou a
ser entendido como Arquivo da Nação aberto ao cidadão comum.
No século XIX, a política de concentração dos
Arquivos vai ser continuada um pouco por toda a Europa, à excepção da Grã-Bretanha
onde o processo vai ser mais tardio. No início deste século, perante o
desenvolvimento do Positivismo, que preconizava a verificação documental ao
serviço da análise histórica, contribui para que os arquivos adquirissem uma
posição instrumental relativamente à Paleografia e à Diplomática. Já na
segunda metade deste mesmo século e agora sob os auspícios do Historicismo os
arquivos vão-se transformar em verdadeiros laboratórios do saber histórico.
Na Época
Contemporânea os arquivos vão adquirir dupla dimensão, onde se por um lado são
garantia dos direitos dos cidadãos, por outro conservam e gerem a memória do
passado da nação e por isso vão ser objecto da investigação histórica.
Bautier,
defende, a ideia de, que até meados do século XX os arquivos desenvolveram
sobretudo a vertente de conservadores e gestores da memória do passado,
deixando de lado a função de serviço à Administração, que até aí tinham
desempenhado.
No século
XX vamos pois assistir à consolidação do conceito e função de Arquivo, como
conjunto de documentos, independentemente da data, da forma e do suporte
material, produzidos ou recebidos por qualquer pessoa, física ou moral, ou por
qualquer organismo público ou privado no exercício da sua actividade,
conservados pelos seus criadores ou sucessores para as suas próprias
necessidades ou transmitidos a instituições de Arquivos. A
Arquivística
Segundo a definição que nos é dada pelo Dicionário de Terminologia
Arquivística do Conselho Internacional de Arquivos, ao qual já se fez
referencia neste trabalho, a Arquivística é a disciplina que trata dos
aspectos teóricos e práticos dos arquivos e da sua função.
Assim, vai desenvolver-se a partir da análise, do trabalho de campo e da
investigação sobre as organizações produtoras de documentos, que os reúnem
constituindo arquivos, para fins materiais ou culturais. Temos, pois que a
Arquivística se debruça sobre um dos produtos mais naturais do Homem, os
Arquivos.
A Arquivística
estabeleceu princípios essenciais, metodologia e linguagem próprias, que a faz
identificar-se e se distinguir das outras Ciências afins, com as quais está
integrada no conjunto das Ciências da documentação e da Informação.
O seu
objectivo prende-se com a formação, organização e conservação dos
documentos, com a economia de tempo na investigação, economia de pessoal e no
trabalho, e direcção do Arquivo.
Nesta
perspectiva a Arquivística deve responder com a criação de uma metodologia própria
para que o arquivo possa desempenhar e cumprir os seus objectivos, desenvolver
procedimentos e instrumentos de trabalho que permitam ao Arquivista, conservar,
gerir e difundir os documentos de arquivo. Esta metodologia radica, pois no carácter
orgânico do arquivo, e consiste em aplicar o principio básico, de respeitar a
ordem natural de criação dos documentos, a que chamamos principio de proveniência ou principio
do respeito pela estrutura dos fundos.
Em suma,
a Arquivística é a Ciência que organiza e torna acessível a informação
documental produzida por uma Organização no desenrolar das suas relações
sociais, a ponto de ser possível conhecer toda a informação que um documento
possa proporcionar. Evolução
Histórica
A Arquivística nasce na sequência da Revolução Francesa com os novos
serviços de Arquivo que então foram criados e no seio da História
Positivista, fortemente vinculada à Diplomática. Só com a prática da teoria
de que os documentos se devem organizar de acordo com a estrutura da instituição
de onde provêem, a Arquivística se conseguiu autonomizar e tornar-se
independente. Este, princípio proveniência é considerado a base
desta Ciência.
Segundo
Posner, internacionalmente consensual, a data aceite para o nascimento da Arquivística,
é o dia 24 de Abril de 1841, quando Natalis de Wally introduziu as normas para
a organização dos fundos reunidos nos Arquivos Nacionais Franceses, de livre
acesso de consulta desde a Revolução Francesa.
Mas, o
grande marco na evolução da Arquivística, podemos encontra-lo em 1898, com a
publicação do Manual dos Arquivistas Holandeses, por Muller, Feith e Fruin,
onde se abre uma nova era para a disciplina, e que representa a afirmação e
libertação da Arquivística, relativamente ao papel secundário para a qual
tinha sido remetida até então, como veremos mais adiante.
No
entanto muito antes, do seu nascimento formal da Arquivística como disciplina,
já existia como prática de sistematização e conservação de fundos
documentais, desde que o Homem criou os primeiros Arquivos, como depósitos dos
testemunhos escritos e como base do seu direito.
Desde a
Roma Antiga que, nos encontramos com um método de trabalho, a que hoje chamamos
principio de proveniência,
onde os documentos produzidos por diferentes dependências se conservavam em
diferentes galerias do Tabularium e do Templo de Saturno, mantendo
independentes cada um deste fundos, onde em cada um destes documentos eram já
ordenados cronologicamente, formando séries. No entanto esta prática tinha
simplesmente uma orientação lógica, onde não se pensava num futuro interesse
histórico dos documentos nem no estabelecimento de uma doutrina arquivística.
Com o
aparecimento das Chancelarias da Idade Média, e a consequente produção e
conservação documental, surgem os cartulários onde se copiavam os documentos
recebidos por uma instituição, e os registos. Assistimos a uma evolução sem
sobressaltos na prática arquivística.
Na Idade
Moderna, e Ilustração a Arquivística vai evoluir no sentido de procurar
facilitar as técnicas que garantam a organização e conservação dos depósitos
que estão nos arquivos, surgindo para o efeito vários conjuntos de normas a
seguir.
Com, o século
XVII veremos proliferar a Literatura Arquivística, aumentando a sua produção
durante o século XVIII, período onde já se discutia os conceitos para a
organização dos arquivos. Paralelamente á emergência deste tipo de
literatura os arquivos, começam a ser consultados por investigadores e
eruditos, tendo em vista a preparação das primeiras histórias cientificas,
fenómeno que vai influenciar a Arquivística no século seguinte.
O papel
da Arquivística no século XIX, vai ser o de procurar novas teorias, que
facilitem o Arquivo a prestar um bom serviço à História. A mais importante
destas, e que se converterá no principio fundamental da Arquivística, como já
se referiu, vai ser sem dúvida a teoria do principio de proveniência.
A Arquivística
vai agora centrar a sua atenção, para a descrição, e para a elaboração de
instrumentos de trabalho que permitam ao historiador encontrar facilmente a
informação de que necessita para investigação.
Surgem,
um pouco por todo o lado, Colecções Diplomáticas, Guias, Inventários, Catálogos
e Índices, e muito menos literatura sobre Teoria Arquivística, com acontecia
no século anterior.
Apesar
disto, vemos surgir, já desde os finais do século XVIII, por toda a Europa,
Escolas de Formação Profissional de Ensinamentos por Oralidade, o que
representa já a preocupação da Arquivística no campo de formação
especializada dos arquivistas.
Nos
finais do século XIX, vamos assistir a um grande marco da evolução da Arquivística,
onde se vai consolidar o Modelo quanto á Origem e Organização dos Arquivos, o
que vai contribuir para que seja criado uma Autoridade Arquivística Central,
resumindo, um órgão que coordene a política relativa aos Arquivos a nível
internacional. Ao mesmo tempo vai-se sentir pela Europa, América e U.R.S.S.
grandes alterações nos campos da Organização e da Política Arquivística.
Toda esta viragem se vai efectuar a partir de 1898, com a edição do Manual dos
Arquivistas Holandeses, que sistematizava a teoria de Natallis de Wally e
fundamentaria as Bases da Arquivística Moderna. É de referir que, na transição
do século XIX para o Século XX, nomeadamente durante o início do segundo se
dará a consolidação definitiva das ideias surgidas na Revolução Francesa
quanto ao Modelo Arquivístico.
Com o século
XX, os Arquivos, irão recuperar a sua dimensão administrativa, que se irá
acentuar nos Anos 30, e se consolidará mais tarde, já nos anos 50, onde a
Arquivística irá desenvolver um sistema para facilitar a Administração nos
momentos mais difíceis, como por exemplo a Segunda Guerra Mundial.
É
precisamente a partir dos Anos 50 que se tenta conciliar as dimensões
tradicionais da Arquivística, a História e a Administração.
Surge
então no âmbito da UNESCO, em Agosto de 1950 o Conselho Internacional de
Arquivos (CIA), que vem dar resposta à necessidade de coordenação a nível
internacional, da Arquivística. Com o CIA, vai-se assistir à intensificação
da cooperação entre países, na Organização de Congressos, Mesas Redondas,
assim como se aumentará a publicação de literatura especializada, como a
revista Archivium, que nasce logo em 1951, vemos surgir também as Conferências
Internacionais da Table Ronde des Archives.
Os Anos
60 são envolvidos por preocupações de ordem prática, dando-se uma acentuação
na vertente técnica da Arquivística. O grande marco desta época acontece em
1964, ano em que é publicado o Elsevier´s Lexicon of Archive Terminology.
Na década
seguinte, por sua vez assiste-se ao aprofundamento das questões teóricas da
Arquivística, que irão contribuir para o seu desenvolvimento científico.
Reforça-se o papel dos profissionais de Arquivo, fazendo surgir as
primeiras Associações de Arquivistas, como a Associação Portuguesa de
Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas (BAD), logo em 1973. E já nos
finais da década, é criado a Programa de Gestão dos Documentos (RAMP), que
assegura a publicação de documentos que abarcam a maior parte dos aspectos da
Arquivística.
Os Anos
70, prendem-se pelo aprofundamento de questões essenciais para a formulação
de um corpo teórico capaz de suportar um fundamentação da Arquivística.
Já com
os anos 80 se caminha para a afirmação da Arquivística com Ciência da
Informação, e na procura dos seus fundamentos, que se irá acentuar nos anos
90.
A Arquivística
nos anos 90 entrou numa nova era, onde a grande preocupação se prendeu e ainda
se prende, nos dias de hoje, com a importância da Informática como meio de
gerir novos documentos.
Nesta
nova era a Arquivística afirma-se definitivamente como uma Ciência da Informação
e se clarificam o seu objecto e o seu método.
Dentro
deste contexto podemos afirmar que a Arquivística é hoje uma Ciência que
procura uma identidade própria que lhe dê autonomia e respeito da História e
da Administração. Os Arquivos de toda as épocas e condições, quer Históricos
quer Administrativos, são por sua vez o seu objecto. Por outro lado a Arquivística
elabora normas e instrumentos de trabalho que permitem ao Arquivista organizar a
documentação e dispô-la ao serviço do utente do Arquivo, assim como deve
contribuir para a identificação e valorização arquivística, criar normas de
reprodução em Arquivos, de instalação, conservação e restauração dos
documentos a cargo dos mesmos. A gestão de informação, com o advento da nova
tecnologias contribuiu para que a Arquivística adoptasse novas técnicas de
trabalho, fazendo com que entrasse no campo das Ciências da Informação,
criando princípios universais aplicáveis a todos os arquivos do mundo, através
da normalização dos seus princípios orgânico-descritivos, de vocabulário
internacional e homologação dos conteúdos da formação profissional dos
Arquivistas. CONCLUSÕES
Ao longo deste trabalho traçaram-se em síntese os caminhos percorridos
pelos Arquivos e pela Arquivística ao longo da sua História e da História da
Sociedade Humana. Procurou-se assim destrinçar a sua evolução histórica
desde o seu nascimento até à sua afirmação nos nossos dias.
Passemos
então, mais uma vez, em revista todo este processo de milénios de uma prática,
que finalmente no século XXI se vê plenamente reconhecida.
Os
Arquivos logo na sua origem confundem-se com a própria escrita, e vamos
encontra-los já no seio das Civilizações Pré-Clássicas, e que no mundo
Greco-Romano, devido ao desenvolvimento da Administração, vêem aumentar
significativamente a sua importância. O conceito de Arquivo vai-se cristalizar
e vulgarizar, da passagem do Mundo Antigo para a Idade Média, voltando-se no século
XV a desenvolver os Arquivos da Administração das Cortes da Europa.
A
passagem à Idade Moderna vai-se dar sem grandes mudanças, no entanto no século
XVI, começam a surgir manuais com uma concepção jurídica da realidade Arquivística.
Por sua
vez a Revolução Francesa, vai formalizar pela primeira vez o livre acesso aos
arquivos por parte do cidadão comum, e também pela primeira vez o Arquivo
Central do Estado passa a ser considerado como Arquivo da Nação.
Com o século
XIX, a função e os princípios de organização dos Arquivo vão ser alvo de
influência do Positivismo e do Historicismo, passando a Arquivística a ser
considerada como uma disciplina auxiliar da História. O grande marco deste século,
é sem dúvida a edição do Manual dos Arquivistas Holandeses, que contribui
para a afirmação da Arquivística, face aos desígnios das correntes
historiográficas que imperavam nesse período.
O século
XX vai trazer avanços significativos, e novas preocupações. Vai nascer o CIA
em 1950, contribuindo para a alargamento do debate sobre os fundamentos da
Arquivística. Com os anos 60 as preocupações com a terminologia arquivística,
levam à edição do Elsevier´s Lexicon of Archive Terminology. A década
seguinte vai dar lugar a importantes contribuições para o aprofundamento de
matérias teóricas tendo em conta a promoção Científica da Arquivística.
Nos Anos
80, a nova revolução tecnológica irá forçar a adaptação da Arquivística
a esta realidade, processo que se acentua com os anos 90, e que continua nos
dias de hoje, chegados ao século XXI.
Porventura
muito mais haveria por dizer, no entanto este é o resultado possível a que se
chegou. Fica entretanto a esperança que futuramente surjam novos trabalhos e
novas descobertas para que possamos melhor compreender todo o trajecto evolutivo
do Arquivo e da Arquivística. Dr. Luís
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(Biblioteca das Ciências do Homem, Plural, 2). [1]
Licenciado em História – Ramo Património Cultural, pela Universidade de
Évora, Portugal. Por
Luís Reis (Licenciado em História) Évora
– 2004 Publicación enviada por Luís Reis Contactar mailto:luishst@sapo.pt Código ISPN de la Publicación EpAuyZulupIwNdFVMe Publicado Wednesday 8 de September de 2004 Ultimas Publicaciones en ilustrados.com
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