Monografias | A produção do saber na relação indivíduo-comunidadeA produção do saber na relação indivíduo-comunidadeResumen: Eis aqui um eixo de difícil funcionamento: indivíduo-comunidade. Podemos tratar essa questão com rigor, ao mesmo tempo em que ela demanda naturalidade e sutil contato. Se, por um lado caminhamos pela via individual, empregamos em demasia a solitude em detrimento do convívio comum. Se, por outro, nos misturamos coletivamente, perdendo parte da identidade, exclui-se a contribuição singular. São extremos encontrados em nossa compreensão a respeito de ser e agir. Eis aqui um eixo de difícil
funcionamento: indivíduo-comunidade. Podemos tratar essa questão com rigor, ao
mesmo tempo em que ela demanda naturalidade e sutil contato. Se, por um lado
caminhamos pela via individual, empregamos em demasia a solitude em detrimento
do convívio comum. Se, por outro, nos misturamos coletivamente, perdendo parte
da identidade, exclui-se a contribuição singular. São extremos encontrados em
nossa compreensão a respeito de ser e agir. O fenômeno da massificação
é largamente descrito por Le Bon, quando afirma que o sujeito coletivo surge
como resultado de um comportamento irracional, e, o indivíduo isolado é aquele
que pode exercer a racionalidade. Posteriormente, Freud descreve os
comportamentos de massa, comparando-os ao neurótico e à criança. Apesar de
algumas diferenças conceituais, ele acaba por endossar as idéias de Gustav Le
Bon. Nesta ótica de massificação
encontramos questões prejudiciais ao desenvolvimento, seja individual; com a
falta de sinergia, ou coletivo, tendo em vista a ausência de ganhos conforme
veremos mais adiante. Grande exemplo disso são as instituições e os princípios
do ensino, através de sua postura com relação à participação de cada
pessoa na comunidade. A construção do
conhecimento no modelo bancário, criticada há tempos por Paulo Freire, por sua
função limitante já provocou reflexões em épocas anteriores. Rousseau, no século
dezoito, em seu trabalho “O Emílio”, dizia claramente sobre as intenções
da sociedade, em “treinar” suas crianças para um dia delas se servir,
tornando a aprendizagem, um instrumento limitador. Outro grande estudioso da
construção do conhecimento foi Jean Piaget, ao estudar os processos de inteligência
e a evolução em cada faixa etária. Esses estudos alavancaram novas explorações no campo da
Psicologia e Pedagogia, fomentando ponderações a respeito dos processos de
aquisição do saber. Na mesma época de Piaget,
na Rússia, quem desenvolvia estudos nessa área era Vygotsky, que se preocupou
com o funcionamento do desenvolvimento humano, a partir de um processo sócio-histórico.
Ele afirmou que o sujeito não é apenas ativo, mas interativo, em virtude de se
constituir e formar conhecimento por meio de relações intra e interpessoais. Posteriormente, a argentina
Emilia Ferreiro e a espanhola Ana Teberosky, trouxeram ao meio educacional nova
teoria, cujo aprendizado se dá através da forma construtivista. Nesta concepção,
consideraram a criança e sua capacidade de pensar, colocando-a como agente na
construção do conhecimento, levando-se em conta o ambiente cultural, em
contraposição ao modelo educacional existente. Nos últimos séculos houve
uma forte reflexão acerca de como o conhecimento é adquirido pelo ser humano.
Os vários pensadores envolvidos nestas pesquisas indicaram diferentes caminhos
pelos quais atravessa o aluno quando em contato com a aprendizagem. Foram
considerados aspectos orgânicos, psíquicos, sociais e a relação entre eles.
Contudo, cabe refletir, ainda mais, a respeito da relação indivíduo-comunidade,
inserida na esfera da construção do conhecimento. A formação do saber
ocorre através da individualidade interna, aliada ao meio e não na massificação.
Cabe lembrar do grego Sócrates, quando argumentava acerca da construção do
conhecimento, tendo em seu cerne, a idéia de que esse processo acontece
individualmente. Seu protesto solitário era contra o consenso estabelecido,
contrariando as crenças e hábitos mentais sustentados como válidos por
pessoas que simbolizavam a máxima expressão daquela época. A verdade pode
estar longe da maioria. Daí a contribuição desse filósofo, ao apresentar e
fazer uso da dialética, que levava as crenças a um sério questionamento, por
meio de contradições. Formamos em nosso psiquismo
as idéias que servirão de suporte para a nossa prática de vida. Entretanto,
de forma inconsciente, quando queremos acreditar em alguma coisa, forçamos a
convivência de idéias incoerentes por variadas necessidades psicológicas, na
busca por satisfação e a evitação de desprazer. Na esfera grupal podemos nos
valer do poder da massa, onde o auto-engano coletivo é ainda mais eficiente do
que o individual. “você recebe o reforço de seus semelhantes e é protegido
pela idéia de que, se erra, não erra sozinho, e de que tantos juntos não
poderiam errar de maneira alguma”. Em função dessas contradições
em nós encontradas, faz-se necessária a constante reflexão, que revisa as
nossas crenças e nos remete à lógica. Nesta dinâmica, podemos estar melhor
presentes com o meio e o conhecimento. Contribuições para a
reflexão acerca do indivíduo, comunidade e o conhecimento já existem. Pois
bem, é hora de sermos autores e exercer maior consciência e vontade para
provocar mais reflexões. O educador que estimula e busca extrair o conhecimento
de seu aluno, a partir da prática habitual é sábio porque influencia o ato do
desenvolvimento no ser humano. O alcance de nossas vistas
deve ser exercitado sempre, sem nunca esquecer que estamos sujeitos a cair na
armadilha de retornar aos padrões já aprendidos. A atenção é ferramenta
crucial, pois que os modelos tradicionais nos atraem aos seus propósitos, ao
criar conforto quanto aos gastos energéticos de nossas capacidades, além de
acomodar as nossas ansiedades ante a constante necessidade de se deparar com o
novo e as mudanças. Este exercício de suporte
qualitativo na educação é fundamental enquanto competência no perfil de
liderança. Deve ser papel do educador-líder propiciar ao aluno o conhecimento
e o estímulo para o autodesenvolvimento. Extrair o conhecimento individual em
conjunto a comunidade que o rodeia e ser agente transformador. Fazer parte,
sobremaneira, na construção dos fatos sociais e conjugar a tríade
pensar-ser-agir. A pesquisa feita com
cuidado, atenção e profundidade requerem uma reflexão por parte do estudioso,
para que não se torne apenas um punhado de conhecimento desconectado da
realidade social. Mas, a profundidade diz respeito ao quanto desejamos, de
verdade, nos “purificar”, das cristalizadas crenças, do auto-conhecimento
que pretendemos desenvolver, da disponibilidade interna em elaborar formas de
aprendizagem e relacionamento com o outro. São uma boa empresa tais objetivos,
eles podem mudar favoravelmente os nossos pontos de vista, viabilizando um
amadurecimento necessário para o crescimento de muitos. Vale lembrar que precisamos
“morrer” para dar lugar a um novo nascimento dentro de nós. A semente da
morte está contida na vida e faz dela cenário para mudanças todo o tempo.
Paulo de Tarso, sabiamente dizia aos que com ele compartilhavam do conhecimento
e amor que pregava a respeito de Jesus Cristo: “Eu morro a cada dia” (I Coríntios
15:31). Compreender esta transformação dá suporte e nos leva ao hábito de
aprender diariamente. Algumas reflexões podem
centrar-se na construção individual do conhecimento com interação do meio e
o hábito de mudanças e forte presença de solidariedade. Essa forma crítica
de pensar nos coloca em condição de harmonizar o desenvolvimento individual e
global através da comunidade. Os resultados acerca do saber têm uma qualidade
inigualável e estimula, ainda mais, a sua produção, haja vista a motivação
que se dá quando enxergamos a parte (Eu) influenciando e sendo influenciado
pelo todo (Nós). *Armando Correa de Siqueira
Neto é psicólogo e desenvolve trabalhos e palestras com Psicologia Preventiva
e eventos educacionais. Publicación enviada por Armando Correa de Siqueira Neto* Contactar mailto:: selfpsicologia@mogi.com.br Código ISPN de la Publicación EpZFupZAlAfImoAqTt Publicado Tuesday 6 de January de 2004 Ultimas Publicaciones en ilustrados.com
ilustrados.com nace con el fin difundir el conocimiento publicando trabajos de investigación, monografias, tesis, presentaciones powerpoint y afines. Publicar trabajos en ilustrados.com ha alcanzado prestigio y reconocimiento internacional siendo cada vez más el número de académicos, empresas, investigadores, científicos que consultan las publicaciones de nuestro portal. | |||||||||