Monografias | Gravidez na adolescênciaGravidez na adolescênciaResumen: Existem algumas condições que propiciam a gravidez na adolescência, levando milhares de jovens a uma experiência fora de hora, dada a inexperiência e conseqüente dificuldade em cuidar do filho que chega. Existem algumas condições
que propiciam a gravidez na adolescência, levando milhares de jovens a uma
experiência fora de hora, dada a inexperiência e conseqüente dificuldade em
cuidar do filho que chega. Dentre os variados fatores
que colaboram para que ocorra este fenômeno em grande número, destacamos a
falta de objetivos encontrada nos jovens de classe social mais baixa, que acaba
vislumbrando num filho a chance de ter um projeto de vida, além de encontrar a
oportunidade de constituir uma identidade, uma vez que não consegue se inserir
na vida profissional. Outras condições também se encontram presentes na vida
desta população que engravida neste período, tais como lares desestruturados
e com pequeno nível de comunicação entre pais e filhos.
Exist some conditions that propitiate the pregnancy in the adolescence,
leading thousand of young girls to an experience out of time, due to the
inexperience and the consequent difficulty in taking care of the child who comes
to light. Among the diverse factors that collaborate to the occurance of this
phenomenon in a great number, we point out the lack of objectives found in the
young persons of a lower social group, that finishes glimpsing in a child the
possibility to have a life project, besides finding the chance to constitute an
identity, once she doesn't obtain to herself an entrance in the professional
life. Also other conditions are present in this population' s life that become
pregnant in this period, such as unbalanced homes and a
small level of communication between parents and children. Introdução O mundo vem assistindo a
crescente onda de mães muito jovens, que dão a luz numa época em que poderiam
estar desenvolvendo algumas capacidades emocionais
e cognitivas, além de acumular experiência, dentro da liberdade que existe
neste período, próprio para viver diversas circunstâncias e posteriormente
adentrar no universo adulto, portando bagagem, mínima que seja, mas que
possibilita então, a constituição de uma família com um filho ou mais.
Contudo, um número alarmante, mostra
muitas adolescentes que acabam tomando outro rumo e engravidam, iniciando ai um
cerceamento de suas atividades no campo do desenvolvimento profissional e
escolar, sem generalizar, porém, grande parcela delas, acaba restrita ao
contato com o lar onde reside. Quais fatores colaboram no
desencadeamento da gravidez na adolescência? A esta pergunta, foi levantado um
grupo de condições como resposta, além de alguns itens fundamentais, que por
seu turno, geram o impulso a se engravidar num período onde as prioridades
deveriam ser outras. Gravidez
na adolescência Tem
sido tarefa difícil explicar a causa de existir tantas adolescentes grávidas,
e seu crescente número a cada ano. De um lado, alguns profissionais apontam
para a falta de informação, de outro, a questão centra-se numa busca pela
identidade por parte dos adolescentes. Cabe o estudo e a reflexão acerca das várias
possibilidades que levam à gravidez na adolescência. Kalina
(1999) define que na adolescência, ocorre uma profunda desestruturação da
personalidade e que com o passar dos anos vai acontecendo um processo de
reestruturação. Baseado nos antecedentes histórico-genéticos e do convívio
familiar e social, e também pela progressiva aquisição
da personalidade do adolescente, é possível entender que esta reestruturação
tem em seu eixo o processo de elaboração dos lutos, a cada etapa deixada
sucessivamente. A questão familiar e social funciona como co-determinante no
que resulta enquanto crise, especialmente, à conquista de uma nova identidade. O
amadurecimento sexual do adolescente, de acordo com Tiba (1996), acontece de forma rápida, simultaneamente ao amadurecimento
emocional e intelectivo, iniciando então, o processar na formação dos valores
de independência, que acaba por gerar pensamentos e atitudes contraditórios,
especialmente quanto a parceiros e profissões. Aberastury
(1983) diz se tratar de uma luta difícil para o adolescente
encontrar uma identidade, que ocorre num processo de longa duração, além de
lento, neste período, em que os jovens vão construindo a base final da
personalidade, de seu perfil adulto. Este processo acontece por meio de
tentativa e erro, em sua maior parte, buscando o verdadeiro eu, e acaba por
sofrer agonias e dúvidas, querendo ser diferente do que fora em sua infância,
num buscar uma identificação própria e diferente. Podemos
encontrar em Osborne (1975) aspectos importantes sobre pais
que valorizam a autonomia e a disciplina no comportamento, estimulam mais o
desenvolvimento da confiança, da responsabilidade e da independência. Pais que
são autoritários, os quais tendem à repressão dos desacordos, porém não
podem exterminá-los, e os filhos adolescentes provavelmente acabam sendo menos
seguros, pensando e agindo pouco por si próprios. Pais negligentes ou
permissivos que não oferecem o tipo de ajuda que o adolescente precisa;
permitem que seus filhos percam o rumo, não oferecendo a eles modelos de um
comportamento adulto responsável. Vemos
então, a enorme responsabilidade educacional durante o processo de adolescência,
e Sayão (1995) confirma tal postura com relação aos filhos, que crescem e aos
pais cabe a preparação sobre as mudanças no corpo e o aprendizado de como
lidar com a questão sexual, usando de honestidade e se preocupando em
transmitir valores, além das regras. Em
outra esfera, ao tratarmos sobre prevenção da gravidez,
podemos encontrar pesquisas realizadas através de universidades ou do
ministério da saúde brasileiro, onde revelam constantemente que grande parte
da população tem tido a informação básica necessária sobre o uso de
anticoncepcionais, e que apesar dos adolescentes possuírem este conhecimento,
acabam mantendo um relacionamento sexual sem tomar os cuidados necessários e
assim, como que numa “loteria”, engravidam inesperadamente.
Se
por um lado encontramos uma boa dose de informações que chega até os jovens,
por outro, percebemos a constante falta de diálogo entre pais e filhos, não
bastando apenas dizer ao adolescente para que use preservativo, mas também
esclarecendo sobre as decorrências possíveis, lembrando que uma relação
afetiva e estável tem maiores chances de entendimento neste diálogo. Os pais
precisam se preparar com conhecimento a respeito, trabalhar melhor sua participação
em assuntos “delicados” e, acompanhar equilibradamente a vida de seus
filhos. Outro
ponto reforça a estatística sobre gravidez na adolescência, que conforme
Varella (2000) nos aponta que, os dados da Pesquisa Nacional em Demografia e Saúde
do Brasil, feita em mil novecentos e noventa e seis, indicaram que quatorze por
cento das meninas nesta faixa etária já tinham um filho, no mínimo. Entre as
parturientes que foram atendidas pelo Sistema Único de Saúde, entre os anos de
mil novecentos e noventa e três e mil novecentos e noventa e oito, teve um
aumento de trinta e um por cento dos casos de meninas entre dez e quatorze anos. Conforme
Duarte (1997), podemos compreender que a gravidez na adolescência não é um
episódio, mas um processo de busca, onde a adolescente pode encontrar
dificuldade e acaba por assumir atitudes de rebeldia. As
pesquisas realizadas pela Secretaria de Saúde de São Paulo, mostram que o
aumento do crescente número de gravidez na adolescência não é a desinformação.
Albertina revela que os depoimentos das adolescentes são surpreendentes. "É
comum ouvir das meninas, que engravidaram porque se sentiram abandonadas, ou
tinham medo de ficar sozinhas, ou precisavam fazer alguma coisa na vida." Parece
que já nos habituamos a este fato, jovens com tão pouca idade se tornando “mãe”,
no sentido biológico, mas existindo pouco preparo ou estrutura, evidentemente.
Como é possível, jovens nesta faixa etária estarem preparadas para cuidar de
outro ser que requer tantos cuidados? Se o adolescente ainda se encontra em
reestruturação da personalidade, levando-se em conta o aspecto emocional e
financeiro, além da experiência de vida necessária, como poderá atuar como
alguém que necessita oferecer apoio e estruturação a outro?
Sabemos
o quanto é importante passar por todas as fases naturais que a vida oferece,
como a infância, a adolescência, a fase jovem, adulta e a velhice, períodos
onde desenvolvemos estruturas que se auxiliam uma após a outra. Costa
(1997) relata sobre a criança de hoje, que é bastante precoce nas questões da
sexualidade, por meio de sua curiosidade em querer conhecer como se formam os
bebês e como ocorre a intimidade sexual. Há muitos casos onde as crianças com
idade a partir de seis anos, que já desejam olhar revistas de mulheres nuas.
Nesta esfera encontra-se a liberação sexual vivida atualmente, a qual
contribui para o aumento do número de adolescentes grávidas. Aumentar
a freqüência de informações dentro das escolas, através das aulas é uma
boa forma colaboradora, até que este assunto se incorpore definitivamente em
nossa cultura, que apesar de “moderna”, ainda é cheia de tabus e
preconceitos. Se
a televisão em seus diversos horários, inclusive os de grande audiência,
transmite cenas de erotismo e sensualidade, pode também apresentar cenas de
prevenção e cuidados a este respeito, em boa dose e intensidade, não apenas
em alguns momentos especiais, aumentando conseqüentemente, o estímulo a esta
prática fundamental de prevenção, que se dá muito por meio da vontade.
Chamamos
atenção para várias adolescentes que engravidaram, e alegaram que mesmo tendo
conhecimento sobre o tema, não sabiam explicar o fato de não terem se
prevenido, deixando o momento da relação aos cuidados da sorte.
Uma
sensação maior parece tomar conta e assim não se pensa em mais nada; apenas
acontece a relação. Isto se dá pela falta de maior consciência a respeito.
Neste período de adolescência, no qual o jovem acredita estar pronto para o
mundo, e é nesta “coragem” que segue avante, mas ainda lhe falta
conhecimento e experiência, inevitáveis para lidar melhor com os fatos
importantes da vida. Outra
situação, como lares desestruturados, pode levar um adolescente a procurar
companhia num filho (Duarte, 1997), por não ter tido uma boa infância,
indicando, mais um item na lista dos agentes que fomentam este acontecimento que
vem crescendo em nossa época, e cabe refletirmos muito e agir ainda mais para
equilibrar o que a natureza nos concedeu: a continuidade da vida, na hora mais
adequada possível, onde um mínimo de estrutura esteja presente na relação de
um casal que pretende gerar e cuidar de tamanha preciosidade: o seu filho, ou
seja, nós, seres humanos. Dos
pontos sinalizados enquanto possibilidades causadoras, e desencadeantes da
gravidez na adolescência, entendemos que, este período de transição, pelo
qual passa o ser humano, é carregado de transformações físicas e psíquicas,
viabilizando uma instabilidade na estrutura da personalidade. Outro fator
relevante é a informação que orienta quanto aos cuidados sexuais, a qual mantém
o seu grau de importância, e deve fazer parte do contexto educacional a fim de
se incorporar, cada vez mais, nos hábitos cotidianos da população.
Encontramos ainda, a enorme exposição a estímulos na área sexual, a que as
crianças se encontram constantemente e as respostas que emitem, além de gerar
uma precocidade em suas atitudes neste mesmo campo. Por outro lado, há uma
batalha imediata, ligada à conscientização dos jovens quanto às questões
emocionais e sociais que podem levar a gravidez como forma equivocada de gerar
identidade nesta fase do desenvolvimento, tão repleta de tribulações e
conflitos mediante as sucessivas mudanças que ocorrem, e ainda, ser um projeto
de vida para substituir a falta de perspectiva profissional, fazendo do futuro,
uma visão de poucas possibilidades de crescimento em várias esferas, a exemplo
da educação e cultura. Este exercício de estimular a reflexão e trazer maior
consciência, pode ser feito por profissionais que atuam na área social e da saúde;
por uma parcela da população que já se encontra com boa experiência de vida
e abre espaço para discuti-las; professores que desenvolvam dinâmicas de
grupos, e ofereçam canal aberto para uma conversa de linguagem fácil e
objetiva, sejam por meio de seus centros comunitários, nos bairros onde moram,
sejam pelas escolas. ABERASTURY,
Arminda e outros. Adolescência. Porto Alegre: Artes Médicas,
1983. COSTA, Moacir. Sexualidade
na adolescência: dilemas e crescimento. 11ª edição. Porto Alegre:
L&Pm, 1997. DUARTE,
Albertina. Gravidez na adolescência: ai como eu sofri por te amar,
2ª edição. Rio de Janeiro: Arte e Contos, 1997. KALINA,
Eduardo. Psicoterapia de adolescentes: teoria, prática e casos clínicos.
3ª edição. Porto Alegre: Artes Médicas, 1999. OSBORNE,
Elsie L.e outros. Seu filho adolescente. Rio de Janeiro: Imago,
1975. SAYAO,
Rosely. Sexo: prazer em conhecê-lo. Porto Alegre: Artes e Ofícios,
1995. TIBA, Içami.
Sexo na adolescência. 9ª edição. São Paulo: Editora Ática,
1996. VARELLA,
Drauzio. Gravidez na adolescência. São Paulo: Folha de São
Paulo. Ilustrada p. E10, 2000. *Armando Correa de Siqueira
Neto é psicólogo e desenvolve trabalhos e palestras com Psicologia Preventiva
e eventos educacionais. E-mail para contato: selfpsicologia@mogi.com.br Publicación enviada por Armando Correa de Siqueira Neto Contactar mailto:selfpsicologia@mogi.com.br Código ISPN de la Publicación EpZVApkZlpvUIbhOPM Publicado Wednesday 4 de February de 2004 Ultimas Publicaciones en ilustrados.com
ilustrados.com nace con el fin difundir el conocimiento publicando trabajos de investigación, monografias, tesis, presentaciones powerpoint y afines. Publicar trabajos en ilustrados.com ha alcanzado prestigio y reconocimiento internacional siendo cada vez más el número de académicos, empresas, investigadores, científicos que consultan las publicaciones de nuestro portal. | |||||||||